18 de fev de 2018

Astrologia para cristãos – e fiéis de outras religiões



Em meados de 2017 tive a oportunidade feliz de ser o primeiro pesquisador de Astrologia a ver um livro de sua autoria, inteiramente favorável à Astrologia, publicado por uma editora brasileira de origem religiosa e com autêntico perfil cristão.

Dito assim pode parecer pouco, mas, em meu entender, é possível ter começado aí uma dinâmica de aproximação mais amiga entre a Astrologia e fiéis religiosos mais rigorosos, não apenas cristãos, mas também seguidores do Islamismo e do Judaísmo, religiões que igualmente interditam a aproximação com a Astrologia.

Estabelecendo pontes de diálogo
Eu decidira escrever aquele livro pensando nas dezenas de milhares de cristãos católicos ou evangélicos ou anglicanos ou ortodoxos, ou devotos de outras religiões que não a cristã (como islamitas e israelitas), que consultam astrólogos mesmo se sentindo inseguros sobre se estarão cometendo algum tipo de erro contra a sua religião, já que as principais Igrejas, e não apenas cristãs, se opõem à Astrologia há muito tempo e o assunto é por costume abordado por padres ou pastores ou rabinos ou imames como coisa do diabo ou crendice para os pobres de fé.

Veja, por exemplo, como o Catecismo da Igreja Católica se refere ao assunto: “Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente ‘reveladoras’ do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenômenos de vidência, o recurso aos ‘médiuns’, tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele”.

Então, neste início do ano de 2018 terminei de escrever mais um livro, Astrologia para cristãos – e fiéis de outras religiões, no qual analiso com maiores detalhes (e mais vagar) duas diferentes vertentes de pensamento sobre o tema.

Estas duas vertentes já estavam presentes no anterior, Astrologia e Cristianismo em diálogo, que foi lançado pela Editora Ideias & Letras, pertencente à Congregação Redentorista, que no Brasil administra a Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o maior templo mundial dedicado a Maria, Mãe de Deus.

Agora, neste novo trabalho eu as desenvolvo com mais pormenores, e agrego mais informação, já que o anterior fora bastante condensado e poderia exigir de meu leitor mais habitualidade em lidar com textos filosóficos e teológicos mais complexos e densos.


Ciência e Ética: dois pilares de um bom conhecimento
Por um lado, integrando conhecimentos de ciências contemporâneas como Biologia Evolutiva, Física Quântica, Neurociência, Psicologia junguiana e Semiologia, apresento e justifico um modelo teórico que vim desenvolvendo nos últimos tempos, que intitulei desde 2013 como “Astrologia Arquetípica” e com o qual proponho o que pode ser o conjunto de causas naturais que dão efetividade à Astrologia, fazendo com que ela de fato funcione e não seja somente crendice ou superstição, e menos ainda decorra de uma suposta energia dos planetas, mas seja bom fruto de um dinamismo aparentemente maravilhoso que só mais recentemente, na História da Humanidade e do saber humano, estamos conseguindo compreender de forma mais bem explicável.

Por outro lado, com base no pensamento teológico de S. Agostinho, S. Tomás de Aquino e S. Alberto Magno, que estão entre os mais competentes pensadores religiosos da Cristandade, mas cujos conceitos sobre o assunto se adequam a fiéis de outras religiões, busco mostrar por que estudar ou praticar a Astrologia não é desrespeito a nenhuma fé, nem abandono da esperança em Deus.

Bem ao contrário, como ensinou S. Alberto Magno no século 12, “os sinais celestes nada mais são senão a Divina Providência”.

Segundo ele, estudar a “ciência do julgamento das estrelas”, que é como ele se referia à Astrologia, era muito importante, pois ele estava convencido de que tudo que fosse conforme à razão era obra de Deus, competindo ao cristão aprender a diferenciar entre os bons e os maus preceitos no conjunto total de todos os ensinamentos existentes.

E Astrologia é questão de razão e, não, de fé – caso contrário, não poderia ser ensinada.

O que define se adotá-la é ou não é contrário a qualquer fé, é a intenção presente em quem a estuda ou dela se serve, e o tipo de utilização que pretende dar às informações que obtiver.

É questão de foro íntimo e diz respeito a valores éticos e morais, já que há aqueles que se inclinarão a tentar controlar o futuro, o que é impossível, ou manipular pessoas, o que é imoral, e há aqueles que buscarão aproveitar o que ela informa para enriquecer suas práticas de entendimento do mundo e de autoconhecimento, para reforma íntima.

Passo a passo, a elaboração do conhecimento
Eu levei um longo tempo para alcançar as conclusões a que venho chegando nos últimos tempos e que exponho neste meu mais recente livro, tendo percorrido diferentes e sucessivas alternativas de explicação teórica.

Então, pareceu-me bom narrar e comentar este rico percurso, por avaliar que este relato possa ser útil a alguns, em sua própria e pessoal construção de opinião e conhecimento.

Não é um livro só para estudiosos e especialistas de Astrologia ou Psicologia, embora possa oferecer bastante a quem já estuda estas áreas de conhecimento.

É, acima de tudo, um relato sobre a elaboração do saber humano.

Este é um meu convite: venha comigo, revisitar este percurso.

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