4 de nov de 2014

URANO E MERCÚRIO: POR VEZES, UMA GENIALIDADE NÃO APROVEITADA




Quase todas as práticas de desenvolvimento espiritual e religioso têm exercícios de meditação centrada no próprio interior, seja em silêncio ou emitindo sons, seja com ou sem orações.

Com eles, busca-se propiciar a emersão, para a luz da consciência, do que dentro de si exista em conflitos e potenciais, para ampliar a compreensão de si mesmo e daquilo que em si próprio seja preciso elaborar melhor.

Este tipo de atividade, porém, requer a habilidade de manter prolongadamente o foco de atenção em um tema específico, durante as meditações, ou, ao contrário (segundo o método), de não focar em nada especial, tentando gerar um “vazio em si” no qual o conhecimento possa se explicitar sem maiores contaminações.

Ambos os objetivos requerem o tipo de capacidade humana que a Astrologia Arquetípica simboliza em Mercúrio, o aspecto mais dinâmico do Pensamento.

Sabe-se que interações entre Mercúrio e Urano, na Carta natal astrológica, são quase sempre indícios de superdotação intelectual (não me refiro a cultura formal ou grau de escolaridade e, sim, competência de raciocínio), com a mente mais usual (Mercúrio) sendo aqui ou acolá invadida por insights intuitivos (Urano) que obrigam o pensamento a saltar para acima de si mesmo, de um modo não possível pelos procedimentos usuais de dedução, indução e ou associação.

Todavia, Aspectos mais tensos entre estes mesmos dois Planetas (principalmente quadratura e oposição) indicam uma acentuadíssima dificuldade de manter o foco da consciência, que fica saltitando de modo alucinado entre infindáveis assuntos e imagens, com o que a condição de superintelectualidade potencial pode resultar em muito pouco de objetivo, bem como períodos de meditação resultarem em fracasso e perda de tempo.

Concentração é a chave: imagine-se ateando fogo em uma folha de papel, ao concentrar a luz do Sol por meio de uma lente de aumento, algo que inumeráveis crianças já fizeram: basta mover um pouco a mão e sair do foco exato, e a luz do Sol não incendiará nada!

Não havendo foco, foco, foco!, a mente se entrega a conversações sem fim em geral improdutivas, mera tagarelice, já que quantidade ou variedade não é, necessariamente, qualidade.

Casos assim exigem uma disciplina pessoal acima da média, pois enquanto não for obtido um grau mais acentuado de possibilidade de manutenção do foco mental, e há procedimentos para facilitar este aprendizado, a pessoa costuma continuar duvidando da própria competência intelectual, tão caótico parece para si mesma o seu próprio raciocínio.


Ela até pode impactar os outros, admirados do brilhantismo que intuem ali se manifestar, mas quase nada colhe em autoimagem tranquilizadora neste aspecto da vida.

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