10 de out de 2014

“Mãe devoradora”, um caso não tão incomum assim

Um dos mais intensos desafios psicoemocionais para uma mãe é experimentar – e aceitar – o sentimento de ser prescindível, e nem por isso sentir-se ameaçada de perder a própria identidade.


De repente, embora não tão de repente assim, sua cria não mais necessita de seu suporte e de seu cuidado protetor: o que fazer com isso?

Complementar a este desafio materno é o de um filho ou filha firmar-se pessoa na vida, saindo do colo da mãe e rumando sobre as próprias pernas no rumo de seu destino pessoal.

Ambos, mãe-filho (ou mãe-filha) compõem uma das parelhas humanas de mais difícil separação para construção de individualidades, razão pela qual não são todos os que conseguem vivê-lo.

E não falo aqui de separação só física, com cada um meramente vivendo em um local; digo separação emocional e existencial, cada qual podendo experimentar a própria vida por si.

Indo além da conhecida situação edípica, quando o amor erótico do filho pela mãe não permite a ele envolver-se inteiro com outra mulher, ou quando o amor erotizado da mãe pelo filho não a deixa conviver em paz com a mulher que ele tenha escolhido por fêmea, os laços que teimam por aprisionar filho (ou filha) e mãe englobam sentimentos raramente passíveis de superação.

Atenção adicional é necessária, porém, no caso de mulheres com Aspectos intensos entre Lua e Plutão em sua própria Carta natal astrológica (a conjunção e a quadratura são os mais desafiadores), dando-se o mesmo em Cartas masculinas com o mesmo padrão astrológico.

Mulheres assim por costume vêm de uma experiência de modelagem feminina com mães intensamente controladoras e inconscientemente dedicadas a manter a crias eternamente infantil, manipulando fortemente sentimentos para impedir um voo próprio do filho ou da filha.

Homens assim, por igual razão, tenderão a buscar companheiras com análogo traço de comportamento, estruturando com elas difíceis relações de gata-e-rato ou, ao extremo, evadindo-se de estreitar relações mais íntimas e pessoalizadas – para não correr o risco de sofrer controle.

Mães lunar-plutônicas obstam ou, pior, sabotam a possibilidade de autonomia de sua prole, mesmo que teimem em dizer que fariam tudo para ver o filho ou filha caminhando com segurança pela vida a fora.
Desde que seja como ela acredita ser o melhor, elas esquecem de dizer...

O assunto, para ser melhor compreendido, deve ser olhado pelo lado reverso, o lado da excessiva necessidade materna de perceber-se sendo necessária, mesmo quando já deveria não sê-lo mais, pela idade de seu filho ou filha.

Sabe aquele ditado de que não temos filhos para nós, mas, sim, para a vida?

Pois é... Casos como estes mostram o quanto certas mulheres, após terem sido mães, não conseguem admitir que seu filho ou filha um dia não mais será delas!

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