11 de nov de 2014

ASTROLOGIA ARQUETÍPICA E PSICOTERAPIA: ATIVIDADES IRMÃS

Há quem pergunte: o trabalho do astrólogo substitui o trabalho do terapeuta? Eles se excluem mutuamente? Um substitui o outro? Ou competem entre si?

Em meu entender este é um falso dilema, derivado da pouca compreensão que se tem (inclusive entre astrólogos e psicólogos) do que cada uma destas atividades profissionais oferece a alguém dentro de sua própria especialidade.




A Astrologia Arquetípica é um método quase insuperável de amplo e profundo diagnóstico do inconsciente de alguém, enquanto detecção de dinâmicas e de conteúdos, com clara indicação do que é inato, ou tipológico e temperamental, e o que é condicionado, fruto de cenas primárias.

Legal... Mas o que a pessoa faz com isto? Seria como ir a um laboratório de análises clínicas, fazer vários exames e sair com os resultados na mão: isto, por si, não resolve nada.

No caso acima, a pessoa deverá levar os exames a um médico, seja clínico geral ou especialista, para ele prescrever e desenvolver a melhor forma terapêutica possível, coisa para a qual apenas o médico tem experiência e preparo para fazer.

De nada adiantaria, inclusive, ou adiantaria bem pouco frente ao que é desejado, perguntar ao técnico do laboratório o que fazer com os resultados.

O mesmo, em se tratando de terapia. O astrólogo costuma não ter preparo específico para ajudar a pessoa a reordenar, como seja possível, suas dinâmicas afetivas e inconscientes de base, algo que só o psicólogo bem formado tem.

Porque o psicólogo, ademais se for clínico e competente, detém conhecimento comprovado em estratégias e táticas de alteração de dinâmicas psíquicas inconscientes, derivadas de diferentes teorias de Psicologia e condutoras a um maior equilíbrio mental felicitador.

Ao mesmo tempo, o psicólogo não costuma deter como recurso de diagnóstico senão a bagagem teórica e a experiência de atendimento, demandando várias sessões seguidas para obter um quadro mais abrangente do inconsciente do paciente, o que pode lhe ser propiciado por uma interpretação astrológica clínica da Carta natal da pessoa.

De fato, eles se complementam, um não sendo mais importante do que o outro: o astrólogo clínico pode fornecer um diagnóstico, de fato um mapa de percurso na rota do autoconhecimento, com detecção da origem dos desafios e a clara indicação de potenciais pessoais a liberar, enquanto o psicólogo, se for psicoterapeuta, pode orientar e apoiar a pessoa na gradual e cuidadosa dissolução de condicionamentos e bloqueios que estão por detrás de suas dificuldades e suas compulsões à repetição (“olha, eu fazendo de novo a mesma bobagem...”), ou têm impedido a realização mais plena de possibilidades.

Esta dinâmica profissional complementar é bastante bem descrita em Astrologia clínica - Um método de autoconhecimento.

Da mesma forma, a Psicologia pode auxiliar a pessoa a liberar e desenvolver seus próprios potenciais psíquicos, segundo o que foi identificado pela Astrologia arquetípica a partir de sua Carta natal.

Sendo assim, astrólogo clínico e psicólogo trabalham, em conjunto, pelo amadurecimento da felicidade da pessoa.

10 de nov de 2014

ASTROLOGIA E PSICOLOGIA, UMA PARCERIA DE MAIS DE 80 ANOS



Em 1933, um genial francês naturalizado norte-americano pensou fora da caixa: “só me familiarizei completamente com as ideias de Jung no verão de 1933, enquanto estava no rancho da Sra. Garland, no Novo México, onde li todas as suas obras então traduzidas. Imediatamente me ocorreu que poderia desenvolver uma série de conexões entre os conceitos de Jung e um tipo reformulado de Astrologia”.


Pouco mais tarde, em 1936 Dane Rudhyar publicou nos Estados Unidos, país em que vivia, o livro “A Astrologia da personalidade – Uma reformulação dos conceitos da Astrologia em termos da Psicologia e da Filosofia contemporâneas”, considerado mundialmente o marco inicial da Astrologia com base psicológica.

Mas o livro passou despercebido e só em 1968, quando foi relançado e vendeu mais de 100.000 cópias em alguns poucos meses, é que o enfoque inovador se firmou de vez nos Estados Unidos e Europa. A partir daí, e por meio do trabalho de vários bons especialistas, a Astrologia passou a deter um modelo teórico psicodinâmico: o conjunto de símbolos em uma Carta Natal pessoal retrata a dinâmica do sistema psicossomático (mente e corpo) ao qual a Carta se refere e, portanto, simboliza seus principais eixos dominantes, seus conteúdos e suas tendências evolutivas.

Em decorrência, se for alterada a dinâmica inconsciente (pela conscientização de conteúdos e revivência de memórias afetivas, quer por meio de práticas de autoconhecimento aprofundado, quer por intervenções terapêuticas), podem ser alteradas em variada medida as tendências e as atitudes da pessoa, sempre em cotejo com os dados objetivos da realidade individual, familiar e social, e da opção entre as várias atitudes para as quais ela seja potente.

Com isso, Rudhyar fez esboroar-se o enfoque mecanicista que por séculos imperara na Astrologia ocidental, inaugurando a possibilidade de a pessoa, ao deter melhor conhecimento da dinâmica inconsciente de seu próprio psiquismo por meio da interpretação adequada dos símbolos astrológicos da sua Carta Natal, poder interferir ativamente, em maior medida do que até então, em sua realidade interior, que é a mais decisiva determinante de seu comportamento.

Quer resignificando memórias inconscientes, quer podendo fazer a catarse de sentimentos, o que é sempre necessário -- resignificação e catarse -- para que se possa alterar dinâmicas psicoafetivas mais profundas. 
Esta dinâmica é melhor descrita em Astrologia Arquetípica, autoconhecimento e espiritualidade, para aqueles que desejam conhecer um pouco mais deste tipo de trabalho diagnóstico.

9 de nov de 2014

ASTROLOGIA ARQUETÍPICA, UM CAMPO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Nunca esquecerei quando, frente ao papa Francisco, bem ao final da Jornada Mundial da Juventude, em 2013, houve uma noite em que vários jovens deram depoimentos pessoais. Em certo momento, no imenso palco na praia de Copacabana, uma jovem recordou que “estava perdida no meio das drogas e só lia revistinhas de horóscopo”.



Pronto! A imagem pública que ali se construía, em rede nacional e com marcante emocionalidade, era a de que a Astrologia era pura bobagem, perniciosa até.

Há pouco tempo, em conversa amiga entre especialistas, ouvi de uma astróloga experiente: “ah, mas nem a Psicologia é propriamente uma ciência”.

Um desafio contemporâneo: estabelecer com clareza “o que é Ciência”, em um mundo no qual noções absolutas vão ficando relativas, como ocorre com a Física atual, que nos indica que em certo nível da existência algo pode ser isto ou aquilo, conforme se o observa.

Não é à toa que pensadores do calibre de Edgar Morin afirmam que “a verdade da ciência não está unicamente na capitalização das verdades adquiridas, na verificação das teorias conhecidas, mas no caráter aberto de aventura que permite, melhor dizendo, que hoje exige a contestação das suas próprias estruturas de pensamento (...) Talvez estejamos num momento crítico em que o próprio conceito de ciência se esteja modificando”.

Distantes quase 90 anos de 1927, quando Heisenberg formulou o seu “Princípio da Incerteza”, que passou a reger as observações da Física contemporânea, ainda há quem não perceba que Ciência não é só o que se convencionou chamar de “exato” e que as ciências (erroneamente) intituladas “humanas” (qual não é?), entre as quais a Psicologia, podem ser tão científicas quanto todas as que pesquisem um certo campo da realidade, formulem hipóteses, submetam-nas à verificação e capacitem alguém a chegar a resultados análogos com o uso do mesmo método.

Exatamente o que faz da Astrologia Arquetípica um campo de conhecimento científico: ela possui um corpo teórico, dentro do qual estuda as ocorrências da realidade e da psique humana e sobre elas formula hipóteses, detém um método de submissão das hipóteses à verificação (quando do ato de interpretação da Carta natal da pessoa, fato ou objeto) e é capaz de transmitir a outrem, em quaisquer idiomas, o conjunto de informações e métodos que permitam analisar a realidade mental humana (em abrangência planetária) e chegar a resultados análogos, os quais podem ser, uma vez mais, verificados.

Isto é ou não é Ciência? Claro que sim.

8 de nov de 2014

ASTROLOGIA, SERIAL KILLERS E DETERMINAÇÃO

Vejo no grupo Papo Astral uma postagem sobre Astrologia e serial killers, que foi repostada na linha do tempo de meu Facebook. http://astrologiadadepressao.com/2014/02/17/os-signos-e-os-serial-killers/

“Como complemento, gostaria de destacar o posicionamento de Marte nos mapas desses assassinos. Áries, Escorpião e Capricórnio estão fortemente presentes e, embora pessoas desses signos não sejam todas assassinas, é curioso observar que todos eles tem ligação direta com Marte – o planeta da guerra e da agressividade. Quando esses signos se destacam em uma carta, é bacana observar as condições do planeta, afinal, quando está debilitado e tensionado por aspectos, Marte pode desencadear um comportamento agressivo que pode chegar a níveis extremos, dependendo do caso”.

De imediato, pensei em quanto de mal à imagem da Astrologia abordagens como estas causam. Menos por se tratar de serial killers e, mais, pela livre e ligeira associação determinista entre os símbolos astrológicos e certas formas de comportamento humano.


O post elenca vários serial killers, tanto homens quanto mulheres. Todavia, quando se calcula a Carta natal de vários deles (ao menos Karla, Mira, Andrei, Ted e John, entre os citados, segundo os dados natais que coligi pelo Google, pois o post mal informa), nada se verifica no Signo de Capricórnio de todos: nenhum Planeta. Em dois destes, dá-se o mesmo em Áries: nenhum Planeta, e em outros dois, nada em Escorpião. Quanto aos aspectos de Marte, ao menos nas Cartas natais destes cinco, pois para mais não tive paciência, verifica-se o que se nota em inúmeras Cartas natais referentes a pessoas comuns: nada propriamente especial.

O que penso merecer reflexão não é a ligeireza da afirmação que os próprios dados natais parecem desmentir. Afinal, quantos dos que leram tal post se deram ao trabalho de calcular Carta por Carta, para cotejar com o que foi categoricamente afirmado? O que julgo ser necessário refletir é sobre a inclinação generalizada, tão comumente associada à Astrologia, de sempre haver relação causal inequívoca: “tal coisa redunda em tal coisa, e ponto”, como se não se tratassem de fenômenos multideterminados e, portanto, derivados de múltiplas cocausas.

Gandhi apresentava em sua Carta natal Marte em Escorpião oposto a Plutão, e ao mesmo tempo a Júpiter que estava conjunto a Plutão, e nem por isto foi furioso psicopata ou megalômano: bem ao contrário, celebrizou-se por propor e defender de modo coerente uma política de resistência passiva, sem a violência de espécie alguma. Martin Luther King tinha Sol em Capricórnio oposto a Plutão, e Saturno oposto a Marte, e nele se destacava a mansidão, como líder religioso. A Carta natal do papa Francisco apresenta uma oposição entre Marte e Plutão, no mesmo homem que, ao invés de fazer impor sua vontade, imediatamente após ser eleito pediu à população reunida aos pés da varanda central da Basílica de São Pedro que rezassem por ele, pois precisaria muito.
Psicopatas? De que estou falando? Estou mencionando a inclinação, em muitas pessoas, também derivada da superstição sobre a energia dos planetas causando coisas, de deduzirem traços pessoais essenciais a partir deste ou daquele símbolo astrológico específico, o que é um perigo para a compreensão e um enorme desrespeito à riqueza humana de possibilidades.

O fenômeno humano é muito vasto do que uma rápida descrição consegue apontar e, portanto, a análise precisa ser muito mais respeitosa e cheia de cautela. Sabemos que para algo ocorrer, não bastam as causas necessárias, é preciso também haver causas suficientes.
Para exemplificar, acompanhe o argumento de “A Filosofia da Astrologia”:

“Suponha que, para ocorrer o fato “A”, são causas necessárias “x”, “y” e “z”. Mas que nenhuma delas é, sozinha, causa suficiente, pois para o fato ocorrer necessita-se de, ao menos, duas destas causas, atuantes simultaneamente ou em sucessão.

A interpretação da Carta astrológica natal alega ter apontado a existência da causa “y” – e, mesmo assim, o fato não ocorreu. Isto, entretanto, não indica que a Astrologia falhou em seu intento. A régua de seu grau de sucesso seria aferir se, sendo “y” uma causa necessária para o fato, a Astrologia efetivamente indicou ou não, em sua tarefa interpretativa de símbolos, a existência da causa “y”, conforme os padrões astrológicos verificados, de modo probabilisticamente significativo. Se sim, e se em um percentual significativo dos casos sim, ela funciona. O restante, a ocorrência ou não do fato, deixa-se para o aspecto aleatório e ou multideterminado dos fenômenos.

Assim como o senso comum supõe haver um tipo de energia dos corpos celestes que se correlaciona causalmente a específicos eventos mentais e ou corporais humanos, este mesmo senso comum habituou-se a associar padrões astrológicos constatados em Cartas astrológicas a específicos comportamentos e ou fenômenos, donde os erros de indução (que é o procedimento lógico mais habitual no nível do senso comum).
Esta indução opera assim: já que nos casos do comportamento ou fato “A” costumou se verificar a existência do padrão astrológico “x”, todas as vezes em que ocorrer o padrão astrológico “x” deve-se esperar que ocorra o comportamento ou fato “A”.
E isto não é obrigatoriamente verdade, à medida que outros fatores podem ser mais determinantes do que o indicado pelo padrão astrológico “x” na ocorrência de “A”, por mais que o padrão “x”, se constatado, indique uma condição necessária”.

Eu dizia, acima, haver concorrência simultânea de cocausas, isto é, causas diferentes e igualmente determinantes, mesmo que cada qual de um jeito, que devem ocorrer em conjunto para haver o efeito constatado.
Uma delas, certamente, é a capacidade de livre arbítrio do ser humano, que lhe dá a dignidade da escolha. Por isto Jean-Paul Sartre pôs na boca de seu personagem Genet a afirmação: “o importante não é o que fazem de nós, mas, sim, aquilo que nós mesmos fazemos do que fizeram de nós”.

Embora saibamos que por vezes isto não é possível, pois uma análise não ingênua da vida mostra ser assim – às vezes, não dá para escolher –, nada indica a prevalência do “determinismo astrológico”.

Até quando vigorará esta postura supersticiosa e mecanicista, a de crer que símbolos causam algo?

7 de nov de 2014

A ASTROLOGIA MUNDIAL DENOTA AMPLOS FATORES COLETIVOS

Uma das características mais fascinantes – e intrigantes – da Astrologia é o fato de ela poder, com a mesma simbólica, se aplicar a variadas esferas da realidade, conforme o foco do interesse e a interpretação dos símbolos.
Assim, entre outras possibilidades, ela auxilia no diagnóstico ou prognóstico em nível pessoal (Astrologia Clínica psicológica ou médica), de negócios (Astrologia Empresarial), de inter-relacionamentos pessoais (Astrologia Sinástrica), de tendências de eventos (Astrologia Horária) ou de dinâmicas em nível muito mais amplo, por meio da especialidade intitulada Astrologia Mundial, ou Coletiva.
Astrologia Arquetípica entrevistou, a este respeito, o astrólogo, escritor, editor e historiador Rui Sá Silva Barros*.



















AA - O que caracteriza (e diferencia) a Astrologia Mundial, ou Coletiva, no conjunto das variadas especialidades astrológicas?
Rui Barros: A Astrologia Mundial trata de entes coletivos ou jurídicos, como países, regiões e cidades. Pode estudar períodos da História política, econômica ou cultural. Para isso, Usa cartas natais, utiliza Trânsitos ou Progressões e considera ingressos solares e eclipses, como em geral se faz com Cartas natais pessoais. Atualmente a Astrologia Mundial lida com fenômenos bastante abrangentes, como a economia mundial e guerras generalizadas, e isto é um problema, pois muitas vezes não temos dados mais precisos para o levantamento dos Mapas e a boa definição dos eventos. Um exemplo recente: para compreender o que se passa na Ucrânia é preciso consultar as Cartas da Rússia, União Europeia e EUA, além da própria Ucrânia, é claro. O Índice Cíclico Planetário, de André Barbault, com base nos cinco Planetas lentos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão), oferece um indicativo razoável de momentos de crise, mas é insuficiente para discernirmos de qual crise se trata e exatamente onde vai ocorrer. A sinastria entre Mapas de países também é possível.

AA – As bases da Astrologia Mundial também vêm dos babilônios, como a Astrologia mais costumeira que conhecemos?
Rui Barros: Sim. Durante dois mil anos os mesopotâmicos anotaram os presságios astrológicos para guerras, meteorologia, ascensão e queda de reis. Davam grande importância à Lua, sua cor, luminosidade, halos e manchas. Não havia ainda um sistema de Casas astrológicas e o ciclo de Júpiter, de 12 anos, era acompanhado com detalhes. O primeiro Mapa individual foi feito perto do começo da Era cristã é já apresentava o Ascendente, mas, não, o Sistema de Casas. No site do Instituto Warburg, associado à Universidade de Londres, é possível encontrar muito material sobre o tema. A Astrologia que praticamos atualmente, com Elementos, Planetas regentes ou exaltados, Sistemas de Casas, etc, é uma herança grega e árabe. Na Antiguidade, a Astrologia era parte da Cosmologia, do saber dos mundos e da qualificação do tempo, e no Século VI antes de Cristo ela se tornou um saber especializado vendido em praça pública.

AA – O axioma convencional supõe que os diferentes corpos celestes influenciam, cada qual de uma maneira, o comportamento pessoal ou os eventos na vida de alguém. Como isto é visto na Astrologia Mundial, no tocante aos fenômenos na esfera coletiva?
Rui Barros: O problema é o mesmo para qualquer ramo da Astrologia. Eu pessoalmente não penso que gravidade ou eletromagnetismo expliquem o funcionamento da Astrologia; o problema é metafísico, isto é, além da Física. É uma questão que remete à constituição do ser humano e suas partes sutis, não sensoriais. Mas o tema é paradoxal, pois a localização espacial dos Planetas é essencial para a prática dos Trânsitos, o que nos remete a problemas espinhosos: por exemplo, como um Planeta pode em algum momento estimular uma configuração que já não existe no céu? Minhas pesquisas revelaram graus de determinação da Astrologia Mundial: ela é forte em Economia, média em Política, ou organização de conflitos, e fraca na avaliação da Cultura, que depende demais de iniciativas individuais. Quanto ao determinismo total, isto fica para os felizes portadores de TOC, que escolhem assassinar a dúvida!

AAA mais usual forma de utilização do saber astrológico é a orientada para diagnosticar ou prognosticar o comportamento de alguém e os eventos objetivos e subjetivos em sua vida. Neste sentido, pode ser dito que a Astrologia Mundial se orienta para compreender os movimentos de cada coletividade humana, como sob um “espírito do tempo”, ou zeitgeist?
Rui Barros: Temos aqui o tema das periodizações, e há várias registradas pela Historiografia, dependendo do assunto em tela. Em Astrologia podemos tomar um par de Planetas e acompanhar todo o ciclo entre uma Conjunção e a seguinte. Exemplificando, na Antiguidade, os astrólogos usaram muito o ciclo de 20 anos de Júpiter e Saturno, o mais longo, para eles, e notaram que a cada 200 anos as Conjunções entre estes Planetas caíam em Signos de um mesmo Elemento, Ar, Terra, Ar e Água, o que acaba formando um grande ciclo de 800 anos. Mas a Historiografia não conhece nenhuma periodização de 200 anos, do ponto de vista sociocultural, a não ser nos estilos arquitetônicos europeus: românico (terra), gótico (ar), renascentista (água) e barroco/clássico (fogo). Alguns tentam relacionar o ciclo de Júpiter e Saturno à história do capitalismo, mas eu acho isto desarrazoado. Estes Planetas se encontram há bilhões de anos e, de repente, produzem algo novo? Como com somente um par de Planetas não se faz muita coisa, esta afirmação soa bastante artificial.

AA – Como se inter-relacionam, na Astrologia Mundial, o que se sabe de um coletivo e de cada um de seus componentes? Digamos: um País e seus diferentes Estados?
Rui Barros: Os Municípios têm sua própria Carta natal, definida pelo que consideram ser as suas datas de fundação legal. No caso brasileiro, salvo exceções (Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins), a questão dos Estados é mais complicada, pois todos foram estabelecidos de uma só vez pela Constituição de 1891. O caso do Brasil é interessante, pois em alguns aspectos o Governo Federal é centralizador, mas há muito espaço para os governadores. Já os Municípios, vivem de pires na mão desde os tempos coloniais. A relação entre o Estado central (União) e os entes federados (Estados) pode ser pesquisada nas casas X e II do Mapa natal do país. Porque a Casa II? Ela é a quinta Casa a contar da Casa X, por derivação.


Rui Barros: Estamos vivendo uma fase crítica na vida humana e a Astrologia Mundial pode ser muito útil nesta conjuntura, ajudando a evitar o triunfo da barbárie.









AA – Os significados usuais das Casas astrológicas, em uma Carta natal, costumam se referir a identidade, valores, comunicação, lar infantil, filhos, etc. E na Astrologia Mundial, de modo resumido, como se estabelece a analogia das Casas?
Rui Barros: São os mesmos princípios e conceitos usados para os Mapas individuais, adaptados para os países. Numa pessoa, o Ascendente revela características do corpo e da aparência; então, num país isto se traduz pelo tamanho e características do território e população. A Casa II simboliza que recursos são usados na produção e sua magnitude (PIB). A Casa III denota a vizinhança (outros países), a comunicação, o ensino básico, a imprensa, o comércio varejista. E assim por diante. Tudo o que se refere ao Governo é visto a partir da Casa X, por derivação: assim, se a tendência à intensa centralização, no Brasil, é relacionada com a oposição entre Marte e Saturno na Carta natal brasileira, os recursos estão na Casa XI, que é a Casa II derivada da Casa X, os funcionários públicos são denotados na Casa III do Mapa natal, que é a sexta Casa a contar da Casa X, e assim por diante. Os manuais de Astrologia que tratam do assunto precisam ser atualizados, pois no mundo moderno e contemporâneo a divisão de trabalho criou inúmeras especializações de processos e instituições. Para maiores detalhes, sugiro a Introdução do livro A contente mãe gentil rumo ao bicentenário.

AA – Assim como na Astrologia voltada à Carta natal, na Astrologia Mundial trabalham-se também os Zodíacos Tropical e Sideral, que divergem entre si?
Rui Barros: No Ocidente trabalhamos com a Astrologia Tropical, mas eu costumo observar o deslocamento retrógrado do Ponto vernal para longos períodos e momentos de grande transformação. Por exemplo, a Revolução Industrial multiplicou a população humana e transformou o meio ambiente do planeta. Isto não pode se explicado somente pelo jogo planetário que se repete periodicamente, pois da repetição de um mesmo fato não pode sair coisa diferente. É consenso que a decolagem desta Revolução deu-se na década de 1780, época em que o Ponto vernal passou para o primeiro Decanato de Peixes e, agora, para a maioria dos astrólogos védicos, já está a 6 graus. Por estes cálculos, o triunfo do Cristianismo no Século IV, na época de Constantino, marca a passagem do Ponto vernal de Áries para Peixes. Já o acompanhamento dos desdobramentos da Revolução Industrial pode ser feito através dos Planetas: a conjunção de Urano e Netuno em 1821 marca a descoberta da indução eletromagnética, base de todos os nossos aparelhos atuais; a Conjunção de Netuno e Plutão, em 1891, marca a segunda fase da Revolução (petróleo, eletricidade, aço, química, máquinas etc.).

AA – É comum, em Astrologia Mundial, ouvir-se expressões como: “este país é regido por tal ou tal planeta”. Como se estipulam estas Dignidades, no caso de Regiões, Países, Estados ou Municípios?
Na Idade Média era comum atribuir-se um Signo para cada região ou reino, mas isto é uma simplificação total. No caso do Brasil, por exemplo, é preciso mencionar Aquário, Touro, Gêmeos, Virgem e Escorpião, além de Saturno, Mercúrio e Marte, para começar a soletrar características fundamentais. Verificamos, na Astrologia Mundial, uma tendência vinda da indústria do entretenimento, que é a de simplificar e nivelar por baixo. Assim, nas eleições ainda levantam Mapas de candidatos como se isto fosse uma corrida entre pessoas! É claro que não, há fatores coletivos em jogo e que podem ser seguidos no Mapa natal do país.  Falta uma metodologia de verificação, do que resulta uma proliferação de “eu acho”, originando uma cacofonia. Estamos vivendo uma fase crítica na vida humana e a Astrologia Mundial pode ser muito útil nesta conjuntura, ajudando a evitar o triunfo da barbárie.

____________________________ 
* Rui Sá Silva Barros publicou ‘O espelho partido’ (SP, Ágora, 1989). Defendeu a Dissertação de Mestrado “Tomando o céu de assalto. Esoterismo, Ciência e Sociedade” (USP, 1999) encontrável na biblioteca do site Clube do Tarô. Lançou, em coautoria com Ciça Bueno, “A contente mãe gentil rumo ao bicentenário. Volume 1: Império”, encontrável em www.clubedeautores.com.br  (2013). Escreve crônicas mensais no site www.clubedotaro.com.br



4 de nov de 2014

Curso Online de Astrologia e Comportamento

Uma abordagem das relações simbólicas da mente humana, para melhor percepção das pontes de significados entre Astrologia e Psicologia, facilitando a psicólogos e estudiosos da psique a compreensão da interpretação astrológica como ferramenta facilitadora em programas de coaching e em atendimento psicoterapêutico.


O curso integra conhecimentos de Astrologia, Filosofia, Mitologia, Semiótica e Psicologia Junguiana e Transpessoal podendo ser feito em até 3 meses, sendo que o aluno pode assistir as videoaulas e acessar todos os materiais no horário em que desejar: são 36 aulas em vídeo, apostila e textos de apoio, além de links e materiais pedagógicos para consultas. O curso pode ser pago por boleto ou cartão de crédito em três parcelas de R$47,00.



“O trabalho de interpretação astrológica não substitui o trabalho de coaching ou o psicoterapêutico, os quais devem estar a cargo de profissionais habilitados. Mas a interpretação astrológica oferece material diagnóstico de alto nível de qualidade e precisão que favorece o aproveitamento de potenciais e ajuda a vencer limites pessoais com maior segurança. O astrólogo, seja profissional ou estudante, precisa de uma boa bagagem cultural em Humanidades, para que o seu trabalho de interpretação não se limite a fórmulas prontas ou receituários genéricos. Para isto, é preciso recobrar conceitos astrológicos clássicos, como os ptolomaicos ou os de Morin de Villefranche, estabelecendo as relações associativas com o entendimento dos Séculos XX e XXI.", diz o autor do curso, Luiz Carlos de Carvalho Teixeira de Freitas, jornalista, psicólogo, astrólogo e autor de quatro livros sobre Astrologia e Psicologia, dentre outras obras.


Assista as primeiras duas videoaulas gratuitamente.




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NÓDULOS LUNARES, SÍMBOLOS MATEMÁTICOS DA REALIDADE




Em 1985/86, quando traduzi no Brasil o livro de Martin Schulman, “Os Nodos Lunares – Astrologia cármica”, deparei com o seguinte trecho: “aceita-se, geralmente, na comunidade astrológica atual, que os Nódulos Lunares representam as principais chaves para o entendimento de cada vida como parte de um tecido contínuo. Muitos astrólogos acreditam que os Nódulos Lunares têm até mais importância do que o resto da carta natal. Para um conhecedor experimentado, a interpretação do Sol, da Lua e das posições dos Nódulos Lunares podem revelar toda a vida da pessoa. De um lado, esses Nódulos Lunares revelam a trilha de desenvolvimento da alma na vida atual, enquanto o resto da carta natal adiciona informações sobre como você está percorrendo esta jornada. É através dos Nódulos Lunares que a astrologia ocidental se capacita a relacionar esta ciência divina com o conceito hindu de reencarnação”.

O conceito causou-me grande impacto.

Menos pelo aspecto relacionado à possibilidade de reencarnação, já que isto depende da crença de cada um e aquilo que é indicado na vida da pessoa pode somente decorrer de herança genética ou de pressões do inconsciente familiar, ao invés de derivar de “vidas passadas”.

O que me impactou foi a enorme importância dada aos Nodos Lunares.

Porque os Nodos Lunares não são alguma coisa que tenha realidade material, por serem, de fato, decorrentes da relação matemática que indica o ponto no Zodíaco em que se cruzam, em certo instante, a órbita da Terra em torno do Sol e a órbita da Lua em torno da Terra.

Como tudo na mecânica celeste é passível de mensuração e cálculo, isto também é, seja referindo-se ao momento de nascimento de alguém, seja aludindo à posição dos Nodos Lunares no Zodíaco no decorrer do tempo, já que sua posição calculável leva de 18 a 19 anos para deslocar-se pelos doze Signos e voltar ao ponto em que estavam na data de nascimento da pessoa.

Naquele tempo eu estava me despregando da noção geral de que os corpos siderais têm uma “energia específica”, cada qual emanando a “sua própria” e, desta forma, “influindo” sobre os acontecimentos de modo peculiar, e a afirmação de Martin Schulman só fez se aprofundar o que eu já pensava.

Todos estamos ainda muito presos a conceitos mecanicistas, mesmo os que se definem como esotéricos, donde decorrer a facilidade com que aceitamos a noção genérica de que os Planetas "emitem um tipo especial de energia” que causa as ocorrências que a Astrologia indica, quer as havidas que influíram na vida da pessoa, quer as que ocorrerão e terão influência.

Registra-se que Louis Pasteur teria dito: “um pouco de Ciência afasta de Deus; muita Ciência, aproxima”. Penso assim, também, em relação à Astrologia: “um pouco de estudo mantém noções insustentáveis, como a de haver energética planetária causando fenômenos na vida das pessoas; um estudo aprofundado permite superar este tipo de noção mecanicista e ir adiante”.

Ir adiante em qual rumo?

Na direção de um modelo de entendimento que permita o entendimento dos símbolos astrológicos como indicadores arquetípicos da Teia do Mundo, razão pela qual toda forma de Astrologia (Ocidental, Árabe, Chinesa, Hindu Jyotisha, etc) e qualquer modalidade astrológica (clínica psicológica ou médica, mundial, empresarial, horária, sinástrica, etc) é eficaz, se lidar bem e a seu próprio modo com o conjunto de símbolos disponíveis para ela.

Isto requer um olhar do alto, que reconheça as diferenças, e por isto as respeite todas, mas consiga ver o elemento comum a todas elas: são símbolos de uma ordem implícita, que é codeterminante, sinalizando como a ordem explícita das coisas, que é codeterminada, ocorreu, ocorre ou ocorrerá.

Como muito bem Martin Schulman define em seu texto, são “as principais chaves para o entendimento de cada vida como parte de um tecido contínuo”, estejam as chaves nos símbolos de corpos siderais, como os Planetas, ou em produtos culturais, meramente imaginários, como o Zodíaco, os Signos e os Nodos Lunares.

Para quem quiser se enriquecer com estes conceitos e avançar na possibilidade de boa compreensão, indico o livro “Por uma filosofia da Astrologia” e o curso “Astrologia e comportamento”.


URANO E MERCÚRIO: POR VEZES, UMA GENIALIDADE NÃO APROVEITADA




Quase todas as práticas de desenvolvimento espiritual e religioso têm exercícios de meditação centrada no próprio interior, seja em silêncio ou emitindo sons, seja com ou sem orações.

Com eles, busca-se propiciar a emersão, para a luz da consciência, do que dentro de si exista em conflitos e potenciais, para ampliar a compreensão de si mesmo e daquilo que em si próprio seja preciso elaborar melhor.

Este tipo de atividade, porém, requer a habilidade de manter prolongadamente o foco de atenção em um tema específico, durante as meditações, ou, ao contrário (segundo o método), de não focar em nada especial, tentando gerar um “vazio em si” no qual o conhecimento possa se explicitar sem maiores contaminações.

Ambos os objetivos requerem o tipo de capacidade humana que a Astrologia Arquetípica simboliza em Mercúrio, o aspecto mais dinâmico do Pensamento.

Sabe-se que interações entre Mercúrio e Urano, na Carta natal astrológica, são quase sempre indícios de superdotação intelectual (não me refiro a cultura formal ou grau de escolaridade e, sim, competência de raciocínio), com a mente mais usual (Mercúrio) sendo aqui ou acolá invadida por insights intuitivos (Urano) que obrigam o pensamento a saltar para acima de si mesmo, de um modo não possível pelos procedimentos usuais de dedução, indução e ou associação.

Todavia, Aspectos mais tensos entre estes mesmos dois Planetas (principalmente quadratura e oposição) indicam uma acentuadíssima dificuldade de manter o foco da consciência, que fica saltitando de modo alucinado entre infindáveis assuntos e imagens, com o que a condição de superintelectualidade potencial pode resultar em muito pouco de objetivo, bem como períodos de meditação resultarem em fracasso e perda de tempo.

Concentração é a chave: imagine-se ateando fogo em uma folha de papel, ao concentrar a luz do Sol por meio de uma lente de aumento, algo que inumeráveis crianças já fizeram: basta mover um pouco a mão e sair do foco exato, e a luz do Sol não incendiará nada!

Não havendo foco, foco, foco!, a mente se entrega a conversações sem fim em geral improdutivas, mera tagarelice, já que quantidade ou variedade não é, necessariamente, qualidade.

Casos assim exigem uma disciplina pessoal acima da média, pois enquanto não for obtido um grau mais acentuado de possibilidade de manutenção do foco mental, e há procedimentos para facilitar este aprendizado, a pessoa costuma continuar duvidando da própria competência intelectual, tão caótico parece para si mesma o seu próprio raciocínio.


Ela até pode impactar os outros, admirados do brilhantismo que intuem ali se manifestar, mas quase nada colhe em autoimagem tranquilizadora neste aspecto da vida.

3 de nov de 2014

Curso Online de Astrologia e Comportamento

Uma abordagem das relações simbólicas da mente humana, para melhor percepção das pontes de significados entre Astrologia e Psicologia, facilitando a psicólogos e estudiosos da psique a compreensão da interpretação astrológica como ferramenta facilitadora em programas de coaching e em atendimento psicoterapêutico.


O curso integra conhecimentos de Astrologia, Filosofia, Mitologia, Semiótica e Psicologia Junguiana e Transpessoal podendo ser feito em até 3 meses, sendo que o aluno pode assistir as videoaulas e acessar todos os materiais no horário em que desejar: são 36 aulas em vídeo, apostila e textos de apoio, além de links e materiais pedagógicos para consultas. O curso pode ser pago por boleto ou cartão de crédito em três parcelas de R$47,00.



“O trabalho de interpretação astrológica não substitui o trabalho de coaching ou o psicoterapêutico, os quais devem estar a cargo de profissionais habilitados. Mas a interpretação astrológica oferece material diagnóstico de alto nível de qualidade e precisão que favorece o aproveitamento de potenciais e ajuda a vencer limites pessoais com maior segurança. O astrólogo, seja profissional ou estudante, precisa de uma boa bagagem cultural em Humanidades, para que o seu trabalho de interpretação não se limite a fórmulas prontas ou receituários genéricos. Para isto, é preciso recobrar conceitos astrológicos clássicos, como os ptolomaicos ou os de Morin de Villefranche, estabelecendo as relações associativas com o entendimento dos Séculos XX e XXI.", diz o autor do curso, Luiz Carlos de Carvalho Teixeira de Freitas, jornalista, psicólogo, astrólogo e autor de quatro livros sobre Astrologia e Psicologia, dentre outras obras.



Assista as primeiras videoaulas gratuitamente.





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Curso de Astrologia e Comportamento

2 de nov de 2014

CURSO ONLINE DE ASTROLOGIA E COMPORTAMENTO


Passam-se anos, décadas, milênios, e a Astrologia continua despertando atenção e interesse em todos os lugares, cada qual em seu jeito próprio.

A Astrologia é só superstição? Se sim, como se mantém viva há tanto tempo?

A Astrologia funciona? Se sim, o que esclarece seu funcionamento?

O que explica haver variadas Astrologias, como a Ocidental medieval, a Árabe, a Chinesa e a Hindu (Jyotisha)?

O que faz com que a Astrologia ofereça informações para diagnóstico clínico psicodinâmico ou médico, para entender relacionamentos interpessoais, para orientar bem empresas e até mesmo para explicar eventos coletivos, em nível de populações inteiras?

Teremos resposta definitiva, algum dia, a estas questões? Se sim, de que depende?

Vivemos um tempo de acentuadas mudanças de paradigmas, que são os pressupostos básicos que orientam nossa busca de entendimento.

As descobertas da Física avançada, dentre as Ciências Exatas, tanto em dimensão cósmica, na Física da Relatividade, quanto em dimensão subatômica, no caso da Física de Partículas, ou Quântica, alteraram de modo enorme nossas formas de compreensão e puseram em cheque os paradigmas científicos de descrição da realidade que vinham desde o Século XVII, entre os quais os mais geralmente conhecidos são os de Isaac Newton e de René Descartes.

Não, que tais paradigmas estejam sendo abolidos, ou venham a ser.

Parece ser algo ainda mais desafiador para a inteligência humana: como o recente Pensamento da Complexidade sugere, trata-se de compreender a realidade se manifestando simultaneamente em múltiplos níveis e sob a ação de princípios diferentes, em um modelo global de compreensão integrador e ressonante (A influi em B, que por sua vez influi em A e, ambos, influirão em C, embora A, B e C sejam rigorosamente sucessivos no tempo, assim como C pode representar B ou A, ou A pode representar C, desde que se conheça os nexos simbólicos envolvidos na representação).

Como um caleidoscópio, com o muito importante adicional de não ser só imagem e, sim, e também, fatores de cocausação orientadores e determinantes da existência manifesta se reagrupando e rearticulando a todo instante.

Em um cenário assim, a Astrologia oferece uma riqueza única: a possibilidade de entender melhor o significado amplo de cada evento, e suas tendências, seja inanimado ou animado, e pessoal, grupal ou coletivo.

Mas como ela evoluiu desde os babilônios, na Mesopotâmia, até as formas mais avançadas que hoje em dia a correlacionam com a mente humana e as formas e normas de comportamento de alguém, tão peculiares a cada pessoa embora sejam bastante semelhantes em todo mundo e qualquer lugar (no tocante ao que, de fato, é verdadeiramente básico no ser humano, na mente e na natureza)?

Por acreditar que há uma imensidão de pessoas interessadas em questões assim, mesmo sem serem especialistas em Astrologia ou Psicologia, implantei o curso online “Astrologia e Comportamento” com esta intenção: resgatar conhecimentos convencionais de Astrologia, Filosofia e Mitologia (grega), correlacionando-os com teorias de Psicologia Junguiana e Transpessoal e com noções básicas de Semiologia, de modo a propiciar a interessados, sejam especialistas ou não, uma ampla visão contemporânea das correlações possibilitadas pela Astrologia para o entendimento das razões e das dinâmicas do comportamento humano.

Tais assuntos, eu venho abordando em meus livros, escrevendo para quem tem interesse em autoconhecimento e aperfeiçoamento pessoal.

No curso, tratou-se de apresentá-los ordenadamente em módulos sucessivos, sob a forma de 36 vídeo-aulas com textos de apoio, para que cada inscrito possa caminhar comigo passo a passo neste enriquecimento cultural e nesta especialização de conhecimento, a Astrologia Arquetípica.

Maiores informações, bem como a descrição do conteúdo do curso, podem ser conhecidas no site www.astrologiaarquetipica.com.br, pelo qual o interessado também poderá assistir à Aula inaugural do curso, em duas vídeo-aulas, focada em apresentar uma visão dos aspectos históricos e evolutivos da Astrologia no decorrer de dois milênios.

31 de out de 2014

A TEIA DO MUNDO E O BRASIL

Passado o período eleitoral, mais tenso, ouso escrever sobre Astrologia Mundial, pois já não pareceria campanha a favor de, ou contra, este ou outro candidato. Digo: ouso, por não ser versado nesta modalidade astrológica (que descreve e analisa eventos em nível coletivo, seja em país, seja no mundo) e apenas querer partilhar um pouco do muito que vim aprendendo com astrólogos experientes nesta especialidade, como Robson Papaleo e Rui Sá Silva Barros, embora aplicado a uma visão de mundo e a uma compreensão política que me são peculiares.










Em alguns de meus escritos venho utilizando a expressão “teia do mundo”, por meu entendimento de que uma ordem implícita codetermina os eventos na ordem explícita que vivenciamos e percebemos, utilizando aqui conceitos e expressões do físico David Bohm, no âmbito da mecânica quântica.

Ordem implícita que, por sua vez, a nós se revela, mesmo antes de se explicitar, na medida em que consigamos identificar e interpretar arquétipos associáveis a cada  momentum desta teia, o que é a base operativa da compreensão astrológica do mundo e de seus fenômenos inanimados ou animados, objetivos ou subjetivos, individuais, grupais ou coletivos.

Como sabem os que acompanham Astrologia Mundial, em nível planetário e desde 2010 a alma coletiva vinha se caracterizando por tensos momentos de desafio às ordens estabelecidas, com eventos prenunciadores do que, mais à frente, poderia resultar em novas dinâmicas estruturais.

A T-Quadrada e a posterior Grande Cruz Cósmica (tensas e simultâneas Quadraturas e Oposições entre Júpiter, Saturno, Urano e Plutão, todos sendo símbolos da esfera do grupo ou dos coletivos) indicavam que, por um longo período (2010-2017), a humanidade, em cada local com cores e dores específicas, viria a atravessar fases de acentuada disrupção, sob o tipo de dinâmica própria de uma crise evolutiva: de modo dialético, há que se negar a ordem vigente em prol de outra, quase seja esta qual for, para depois, negando a negação, retomar a anterior em outro nível de ordenamento.

Tal qual se conhece, Aspectos tensos Saturno-Urano simbolicamente se associam a dinamismos de destruição criativa enquanto o aspecto estiver vigente, com desestruturação (Urano) para reestruturação (Saturno), dando-se o mesmo, embora de outro jeito, com aspectos Urano-Júpiter, e sendo exponenciado ao máximo possível durante aspectos Saturno-Plutão, aí, sim, em regeneração de fato.

Não à toa, nesta etapa o Norte da África foi tomado pelas “Primaveras árabes”, os Estados Unidos foram impactados por “Occupy Wall Street”, a Espanha conheceu “Los Indignados”, a Inglaterra se incendiou sob as manifestações de Tottenham e, entre demais lugares, no Brasil milhões foram às ruas em junho de 2013, por vezes até sem saber bem por que. O espírito do tempo, ou zeitgeist, era esse: confrontar para mudar.

Por natureza, provocando e sofrendo excessos de fundo emocional-afetivo (aqui, também no coletivo), pois se o pensamento muda com fácil agilidade, a base estruturante de sentimentos e hábitos existenciais (e isto vale para todos) só se altera “no tranco”. Como não há ruptura sem intensidade de oposição ao que exista, o traço marcial da agressividade (e plutônico, se em nível coletivo) esteve sempre presente, aqui com menor destruição, ali mais ameaçador, sob o risco de se jogar o bebê fora com a água do banho, ao invés de apenas esvaziar a bacia para água nova.

Soberanas no significado exposto, eram indicadas alterações de natureza essencial (Plutão) em estruturas (Capricórnio) como tom e teor do vastíssimo período todo: Plutão só entra em Aquário em finais de 2024. Se a realidade parece se organizar e ser cocausada por campos dentro de campos, como a Hipótese dos Campos Mórficos, entre outras, tenta explicar, o que ocorria no Brasil tinha dinâmica própria, dentro do dinamismo mais amplo da alma coletiva planetária.

Aqui, nos finais de 2011 Saturno entrava em Escorpião, Signo que recebe o Meio do Céu do Brasil, ponto que representa a estrutura central de governo. Eu não conseguia esquecer que, na Carta natal do Brasil, Marte está no início do Signo de Escorpião, em oposição a Saturno natal em III, simbolizando quanta agressividade contida (Saturno Oposto a Marte) e ressentida (Marte em Escorpião) reside latente no inconsciente do povo.

O País enfrentaria, assim, do início de 2012 até novembro de 2014, com ligeira “recaída” a ocorrer entre junho e agosto de 2015, a emersão da surda violência potencial que vigora na mente profunda brasileira, durante o tempo em que Saturno estivesse em Escorpião (com um apogeu na virada de 2012 para 2013, quando Saturno ativasse em cheio o eixo Saturno-Marte).

Tanto, que as manifestações populares de junho de 2013 tiveram o seu acentuado sentido reivindicatório quase comprometido por agressividade impositiva (Black blocs e vândalos de ocasião), repelindo parte da opinião pública e desaproveitando o que poderia ter sido só pressão legítima por modificações profundas na estrutura de poder central, isto é, no Governo.

Quando tudo parecia querer ir à deriva entre nós, um benfazejo trígono Júpiter-Netuno-Saturno, em Câncer-Peixes-Escorpião, mostrou que a alma brasileira se apaziguava um pouco e vimos ocorrer, entre nós, a 28ª Jornada Mundial da Juventude. Até para os não católicos foi momento de sentimentos doces, quer pelo assunto, já que o Espírito Santo é amor, quer pelo contraste com o que vinha sendo experimentado coletivamente.

Todo mundo, seja alma pessoal ou alma grupal, precisa de um tempo de respiro. Se nas vezes em que Saturno transitou sobre o Meio do Céu do Brasil, ao menos as mais recentes,  e indicou ter sido pouco antes ativado o eixo Saturno/Marte da agressividade impositiva nacional latente, ocorreram severas alterações no governo central, agora não deveria ser de outra forma.

Em 1954/1955, circunstância análoga da teia do mundo redundou no suicídio de Getúlio Vargas. Em 1984/1985, na eleição e morte de Tancredo Neves. Em 2014, o que ocorreria? Este era o meu temor, na onda de violência crescente que empolgava o Brasil inteiro, ainda mais, como também em 1954, sob atuação pressionadora da grande imprensa, importante formadora de opinião no público e geradora de fortes sentimentos no seio do coletivo, como sabemos.

Imprensa que, empenhada em opor-se à candidata do Governo, fazia por incrementar o que já era dominante: insatisfação resmunguenta coletiva, como Saturno faz pressupor, e em Escorpião, mostrando a face ressentida. Também gerando condições para que a inércia dominasse, própria do que Saturno mais bem simboliza, e travando iniciativas em geral, inclusive as necessárias na economia, que redundariam em menos mal-estar.

Ao meio do caminho, um novo respiro, exato quando Saturno fazia Conjunção pela segunda vez sucessiva com o Meio do Céu brasileiro: a Copa do Mundo, em junho/julho de 2014. Aquilo que se prenunciava como um desastre total, segundo a imagem coletiva gerada e repercutida diuturnamente, tomou o País em clima de festa e, a despeito de entre as linhas dos campos ter sido ruim para o Brasil, no que respeita a todo o resto foi só alegria, orgulho e satisfação.

Nunca mais se falou disto, pois outro assunto era dominante: as eleições presidenciais de outubro, sempre sob os significados apontados por Saturno conjunto ao Meio do Céu e em Quadratura com o Ascendente do Brasil, de novembro 2013 a outubro de 2014, sendo que, no intervalo de abril-outubro de 2014 o mesmo Saturno faria Quadratura com a Vênus brasileira e, assim, adicionalmente sugeria o incremento da perda geral de prazer e alegria na existência coletiva.

Todo dia eu rogava que chegássemos relativamente incólumes a novembro de 2014 – exceto Eduardo Campos, coitado, sob Saturno em conjunção exata com o Meio do Céu em agosto. Pois viria a ter início, então, em novembro, um benfazejo Sextil entre Saturno e Plutão, prolongado até outubro de 2015, sendo que de dezembro 2014 a janeiro 2015 começaria um magnífico Trígono de Plutão com o Sol natal do País, ao mesmo tempo em que um Sextil de Plutão com o Meio do Céu brasileiro, sugerindo que até dezembro de 2017, fosse qual fosse o candidato vencedor de agora na disputa pela Presidência, o Brasil finalizaria esta fase da teia do mundo, a do ressurgimento das cinzas de si mesmo, com intensa e irreversível alteração de estrutura, seja na esfera do Governo central (Meio do Céu), seja na identidade nacional (Sol), chamado a se reinventar – e para melhor, muito melhor.

Não poucos apontam que, passado o momento de ruptura no transcorrer da crise evolutiva, com todos os riscos que uma etapa como esta embute, a dinâmica de crescimento poderá ser marcante e sustentada em outras bases, indicada pelos símbolos que expõem arquetipicamente a teia do mundo. Lenta e segura (por Saturno, que até outubro de 2015 fará, por sua vez, Sextil com Plutão), ao mesmo tempo em que transformadora em um nível poucas vezes vivenciado no Brasil (por Plutão com Sol e com o Meio do Céu).

Há detalhes e nuances, conforme cada momentum atravessado da teia do mundo? Decerto, e sobre isso os especialistas em Astrologia Mundial saberão mais do que eu. Mas, vamos e venhamos: até que merecemos, após tantas dores e temores grupais, não?

Luiz Carlos

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