23 de nov de 2013

O pensamento nunca expõe toda a verdade



Hermes era filho de Zeus e da ninfa Maia e o mais sagaz dos deuses olímpicos.






Recém-nascido, desatou-se de ataduras que o prendiam ritualmente a um salgueiro e roubou parte de um rebanho de Apolo. Levado a julgamento frente a Zeus, claro que negou tudo, como se dá em casos assim, e terminou prometendo que não mais mentiria... mas nunca contaria toda a verdade!


Assim é o pensamento humano, avesso a deixar-se preso seja ao que for e também avesso a expor toda a verdade, na medida em que é apreciação e ou exposição apenas parcial do que seja de fato verdadeiro.


Por isso, o amadurecimento ensina haver verdades e verdades sobre o mesmo aspecto da realidade, cada qual costumando ser a visão a partir de um ponto, isto é, um ponto de vista.


Em certo sentido Hermes era um deus benéfico, interessado em síntese de opostos por comparação de diferenças, mas era ao mesmo tempo um deus terrível, por sua loquacidade brilhante e facilidade de argumentação, muitas vezes apresentando a realidade travestida em ilusão conceitual, jogo de palavras.


A seguir, menino ainda, levando Apolo a se encantar com a lira e a flauta (de Pã) que ele, Hermes, inventara, persuadiu-o a ensinar-lhe as artes divinatórias, que Apolo presidia, e mais tarde foi alçado a “psicopompo”, isto é, guia de almas, sendo o único deus que entrava e saía do território de Hades a seu bel-prazer.


Diz o romeno Mircea Eliade, historiador de religiões e mitólogo: “os seus atributos primordiais – astúcia e inventividade, interesse pelas atividades dos homens e psicopompia – serão continuamente reinterpretados e terminarão por fazer de Hermes uma figura cada vez mais complexa e, ao mesmo tempo, o Hermes civilizador, patrono da ciência e da imagem exemplar das gnoses ocultas”.


Tudo isso a Astrologia Arquetípica associa simbolicamente ao Planeta Mercúrio, tonalizando sua manifestação conforme a localização deste Planeta na Carta natal astrológica: nos extremos, um Mercúrio geminiano será um beija-flor de informações, interessado em quase nada de muita coisa, ao passo que um Mercúrio virginiano será irritantemente preso a minúcias, escarafunchando detalhes à busca da possível verdade aninhada nas dobras do real manifesto.


Seja como for, Mercúrio nos fala da capacidade humana em transformar, para memorizar e ou transmitir, a realidade objetiva em conceitos subjetivos, a exata possibilidade humana que nos diferencia de todos os outros seres vivos: o verbo.


Destarte, o seu estado na Carta natal (por localização em Signo e Casa astrológica, e pelos Aspectos que faz) oferece informação sobre como a pessoa lida com a própria capacidade intelectual e de estabelecimento e ou manutenção de relações com base no que pensa e no que diz, indicando também o grau de facilidade que a pessoa tem de utilizar as capacidades mercuriais para aprofundar-se em si mesma, no trabalho de estabelecer pontes funcionais entre a consciência e os “deuses” que vivem dentro dela: seus diversos, e muitas vezes contrastados, conteúdos internos inconscientes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Translate