8 de nov de 2013

Manchas de Rorschach: quando a psique fala de si ao projetar

No dia 8 de novembro Hermann Rorschach completaria 130 anos, o psiquiatra suíço que nas primeiras décadas do Século XX desenvolveu um método psicodiagnóstico por interpretação de manchas de tinta impressas em pranchas de papelão.
 
Atualmente, quase um século decorrido da primeira publicação oficial de suas descobertas, em 1921, com segurança é um dos mais bem desenvolvidos métodos de diagnóstico de estrutura e dinâmica de personalidade.


 Tendo falecido no ano seguinte, aos 38 anos de idade, sua obra passou a ser aceita internacionalmente só depois de o psicólogo norte-americano John Exner desenvolver entre os anos 1940 e 1960 uma sistemática suficientemente segura para garantir validade (o método mede o que deve medir), confiabilidade (o método é exato na medição) e objetividade (diferentes examinadores chegam ao mesmo resultado com o método).

Ele é largamente utilizado tanto na prática clínica da Psicologia e da Psiquiatria, quanto na avaliação de candidatos a posições profissionais.

Sua simplicidade é estonteante e parte do princípio de que a psique, ao defrontar manchas irregulares sem forma definida, e ser convidada a dizer o que cada específica mancha a faz lembrar ou imaginar, projeta seus conteúdos e dinâmicas por meio de associações livres verbalizadas e, assim, o examinando fala de si sem o saber.

Daí, com uma minuciosa metodologia de registro, agrupamento e interpretação do que foi afirmado, o examinador deduz o que dentro daquela psique vigora, seja traço de personalidade, estado afetivo-emocional ou componente psicopatológico.

Exatamente como ocorre na dinâmica da idolatria, quando a pessoa projeta um traço de si mesma sobre o ídolo e, ao “adorá-lo”, em verdade adora a si mesma, razão pela qual, quando se dedica ao autoconhecimento, deve cada vez mais buscar vencer toda inclinação idolátrica.

Exatamente como se dá nos encontros interpessoais, quando a pessoa identifica inconscientemente em outro alguém traços complementares ou contrários aos seus e deixa que esta identificação, muitas vezes ao invés do que afirma desejar ou intencionar, determine a dinâmica da relação.

Esta também é a base psicodinâmica das análises de Sinastria astrológica, quando Cartas natais são utilizadas para avaliar, descrever e até mesmo prognosticar as dinâmicas relacionais predominantes que se estabelecerão entre duas pessoas, bastando para isto entrarem em relação: “o que nele também está em mim e, por isso, me atrai ou repele?”.

Com a diferença de que, em métodos como o das manchas de Rorschach, é da análise do que foi projetado que se infere o que na psique existe, ao passo que nas Cartas natais astrológicas é da análise do que nelas está simbolizado que se deduz o que vigora na psique.

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